Não somos heróis. Somos de verdade!

A atividade profissional do Médico sempre foi desafiadora. Lidamos com vidas, da prevenção ao seu mais delicado extremo de cuidados. Uma rotina de trabalho extenuante, desgastante e desafiadora que rotineiramente coloca nossas vidas pessoais em segundo plano.

O ano de 2020 nos apresentou um desafio gigantesco. Inimaginável. Em nenhum momento supomos essa guerra contra o desconhecido que nos impôs a corrermos riscos para salvar vidas e termos muito cuidado e atenção para não perdermos as nossas e as de nossos familiares.

Foi preciso superar o cansaço e o abalo emocional para enfrentar o Coronavírus e cumprir a nossa missão, que bem vale lembrar, ainda não acabou.

Em uma pesquisa aplicada em julho, no auge da pandemia em nosso Estado, pelo Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (Simesc) e Associação Catarinense de Terapia Intensiva (SOCATI), muitos médicos de UTIs do Estado relataram estarem exaustos e sobrecarregados. Em âmbito nacional a realidade não foi diferente. Uma pesquisa realizada pela PEBMED mostrou que 83% dos profissionais na linha de frente contra a Covid-19, incluindo médicos, apresentaram a síndrome de Burnout, mais conhecida como síndrome do esgotamento profissional. Afinal, por traz dos equipamentos de proteção há seres humanos!

Os elogios e aplausos que nos foram dados nesse período são muito bem recebidos. Mas nunca chegarão à altura do que representa nossa admiração e respeito pelo esforço, empenho e dedicação profissional de cada um dos nossos colegas que não fugiram à luta.

Hoje sabemos que ainda não estamos preparados fisicamente, emocionalmente e cientificamente para lidar com o desconhecido. Mas temos certeza de que empenho e esforço nunca nos faltarão para exercermos a Medicina com a dedicação e profissionalismo, confirmando o nosso juramento.

No Dia do Médico, 18 de outubro, a nossa homenagem a todos os médicos de Santa Catarina que com bravura não mediram esforços para garantir saúde à população em tempos tão desafiadores.

O nosso reconhecimento a todos que resistiram à essa doença e nos deixaram ainda mais convictos de nosso compromisso profissional, social e humano.

Por isso, vale lembrar que não somos heróis. Somos de verdade! E estaremos sempre presentes!